Limpeza de sinalética rodoviáriaAnálise de viabilidade em Portugal

O mapa

Meio milhão de sinais já mapeados, e ninguém os juntou ainda.

Todas as contagens desta página foram obtidas por consulta direta às APIs, não lidas em documentação. Somando o Mapillary, o OpenStreetMap e os cadastros municipais abertos chega-se a perto de meio milhão de sinais georreferenciados, sem custo de dados. O que não existe é isto tudo junto e atualizado, e é aí que está o produto.

A conclusão que muda o negócio

~490mil sinais
Já georreferenciados e acessíveis sem pagar nada por dados, somando três fontes abertas.
Derivado

Cada carrinha de limpeza é um veículo de mapeamento. Uma dashcam de 300 € transforma a operação diária num levantamento contínuo, e o cadastro deixa de ser um custo para passar a ser um subproduto gratuito daquilo que já se faz.

É isto que liga as duas metades do negócio: os municípios já compram cadastro, e quem lava os sinais está fisicamente ao lado deles todos os dias.

O que existe, medido e não presumido

A cobertura do Mapillary foi medida por amostragem aleatória de 300 células no continente, e as contagens municipais por consulta ao número de registos de cada serviço.

Sinais georreferenciados acessíveis hoje, por fonte
Ordem de grandeza, sem custo de dados
MapillaryDeteção automática
~370 mil
MunicípiosCadastro oficial
~69 mil
OpenStreetMapColaborativo
~49 mil
O Mapillary é a espinha dorsal por cobertura, mas as datas das imagens vão de 2017 a 2024, pelo que um sinal detetado pode já não existir. Trata-se de uma lista de candidatos a verificar, que é exatamente o que um negócio de cadastro precisa.

Os cadastros municipais que já estão abertos

Contagens verificadas por consulta aos serviços ArcGIS e CKAN. São simultaneamente conjunto de validação, modelo de esquema e prova de que o mercado sabe o que é isto.

EntidadeSinaisNota
EMEL, Lisboa27.725Detalha até 5 chapas por poste, com número de série
Valongo13.368Densidade urbana muito alta
Águeda10.738Tem campos de estado e visibilidade, licença CC BY 4.0
Mafra6.613Base da estimativa do parque nacional
Chamusca2.482Estado, condição, visibilidade e foto por sinal, como Águeda. 426 em estado mau, 132 com nota de sujidade ou vegetação
Vila Nova de Foz Côa790
Total confirmado, incluindo outros endpoints~69.000

O achado mais útil está no esquema de Águeda, e repete-se na Chamusca

O cadastro tem um campo estado e um campo visibilidade, com valores como Bom, Razoável e Mau. Um sinal marcado como Mau é literalmente uma oportunidade comercial identificada, com coordenadas. A Chamusca vai mais longe: além do estado, tem um campo de condição com notas como Sujo, Sem leitura ou Tapado com vegetação, e uma foto por sinal.

Adotar a união dos esquemas de Águeda, Mafra e EMEL como modelo de dados do produto significa falar o vocabulário que o cliente já usa.

Verificado

A Infraestruturas de Portugal não publica cadastro

Os serviços públicos da IP têm marcos quilométricos e traçado da rede, nada de sinalização. O catálogo do SNIG não tem cadastro de sinalização rodoviária, apenas sinalização geodésica e ferroviária, que são falsos positivos.

Existe via legal: um pedido ao abrigo da Lei 26/2016 tem resposta em 10 dias úteis e é gratuito. Mesmo uma recusa é informação de mercado, porque documenta que a IP não tem cadastro digital sistematizado.

Verificado

O que se pode e não se pode usar

Mapillary

API gratuita com token. Os termos permitem uso comercial na prestação de serviços a clientes, que cobre exatamente o modelo de fazer cadastro para um município. Exige logótipo e ligação visíveis. Revender a base em bruto é que não é permitido.

Permitido com atribuição

OpenStreetMap

Licença ODbL. Uso interno de uma base derivada não aciona o share-alike, mas publicar ou entregar essa base obriga a licenciá-la também em ODbL, e o cliente fica livre de a redistribuir. Relatórios e mapas são obra produzida e basta atribuir.

Permitido com share-alike

Google Street View

Proibido, e não é questão de risco. Os termos vedam expressamente construir um índice de objetos a partir das imagens, dando como exemplo indexar árvores numa cidade, e vedam usar as imagens para treinar modelos. Aplica-se a qualquer método de acesso, incluindo SerpAPI, Firecrawl ou Apify.

Vedado por contrato

A decisão de arquitetura que não se pode adiar

Manter as tabelas separadas por proveniência desde o primeiro dia: uma para dados do OpenStreetMap, uma para deteções do Mapillary, uma para cadastros municipais, e uma para levantamento próprio. Sem essa separação, daqui a dois anos deixa de ser possível responder se a base pode ser vendida em exclusivo a um município.

O corolário comercial é vender o serviço e não a base. O levantamento próprio é o único ativo sem restrições de licença, e é também o único que está atualizado.

O levantamento próprio, que é onde está o fosso

Custo marginal quase zero

  • Dashcam 4K com GPS entre 150 e 400 € por veículo. Um telemóvel com a aplicação Mapillary faz o mesmo a custo zero.
  • Processamento em GPU alugada, entre 0,30 e 0,80 € por hora.
  • Mobile mapping profissional, para referência, custa entre 80 mil e 400 mil euros por sistema.
Se as carrinhas já andam na estrada todos os dias, o levantamento é subproduto da operação. É o argumento económico decisivo.

O que falta construir

  • Não existe dataset público de sinais portugueses. Quem construir o primeiro conjunto anotado com os códigos do Regulamento de Sinalização do Trânsito fica com um ativo difícil de copiar.
  • Existem datasets europeus para arrancar: o Mapillary Traffic Sign Dataset com mais de 300 classes, o esloveno DFG com 200, e os alemães GTSDB e GTSRB.
  • A barra é mais baixa do que parece. Para agendar uma lavagem basta localizar o sinal e avaliar o estado da chapa. A classificação fina do código pode vir depois.
Desempenho por validar

Por onde começar

  • Semanas 1 a 3. Ingerir OpenStreetMap, varrer o Mapillary por tiles e puxar os endpoints municipais confirmados. Resultado: um mapa nacional com 400 a 450 mil sinais, sem gastar um euro em dados, e que aparentemente não existe hoje em Portugal.
  • Semanas 4 a 8. Usar Águeda, Mafra e Valongo como verdade de referência e medir que percentagem do cadastro oficial o Mapillary encontra. Esse número é a peça de credibilidade comercial mais valiosa de toda a operação, e obtém-se só com dados já abertos.
  • Mês 3 em diante. Dashcam em cada veículo, com deteção própria a alimentar a tabela de levantamento. Carregar as imagens para o Panoramax, que é explicitamente CC BY-SA, dá armazenamento e visor gratuitos sem perder o direito de explorar os dados derivados.
  • Em paralelo e desde já. Pedidos de acesso à Infraestruturas de Portugal e aos municípios-alvo. Custam apenas tempo e cada resposta é dados ou é inteligência de mercado.
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