Limpeza de sinalética rodoviáriaAnálise de viabilidade em Portugal

As contas

Uma equipa fatura 120 mil euros, e deixa 46% de margem.

O modelo é simples porque o negócio é simples: duas pessoas, uma carrinha e um sistema de lavagem. Não há efeito de escala, cada equipa adicional repete a mesma conta. O investimento inicial paga-se em cerca de nove meses de plena carga, se a procura existir.

Modelo económico de uma equipa

Receita anual de uma equipa de dois operadores
30.000 sinais por ano a 4 €, 150 sinais por dia em 200 dias úteis
Custos65.000 €
Margem de contribuição55.000 € · 46%

Custos anuais por equipa

Rubrica€ / ano
Dois operadores, bruto e encargos36.000
Viatura, combustível e manutenção14.000
Estrutura, contabilidade e comercial8.000
Consumíveis, água e filtros3.000
Seguros2.500
Sinalização temporária e EPI1.500
Total65.000

Investimento inicial

Rubrica
Viatura usada com depósito de 1.000 L18.000
Fundo de maneio para três meses8.000
Sistema de lavagem, osmose e varas5.000
Sinalização temporária3.500
Sociedade e seguros iniciais2.000
Site e material comercial1.500
Formação e EPI1.800
Total39.800
Retorno do investimento em cerca de nove meses de uma equipa em plena carga.

O preço assumido tem agora uma âncora pública

O contrato-quadro do Município de Cascais com a empresa municipal Cascais Próxima fixa o item «Manutenção ou limpeza de sinalização vertical» em 10,05 € por unidade, para quantidades acima de uma. É o único €/sinal deste dossier ancorado num contrato público, e fica bem acima dos 4 € por sinal usados aqui como pressuposto de receita.

A leitura é prudente. O item de Cascais combina manutenção e limpeza e é praticado por uma empresa municipal em regime interno, não numa adjudicação competitiva. Ainda assim, mostra que 4 € por sinal é um pressuposto conservador, não otimista.

Verificado

Três cenários a três anos

O negócio não tem efeito de escala: cada equipa repete a mesma conta, com a mesma margem. O que separa os cenários é a velocidade a que se consegue encher a agenda, e isso depende inteiramente de a procura se formar. Os pressupostos de produtividade e de preço são os mesmos nos três.

Ano Conservador Central Otimista
Ano 1, arranque e pilotos40.000 €60.000 €90.000 €
Ano 2, primeira equipa em carga80.000 €120.000 €170.000 €
Ano 3, segunda equipa120.000 €240.000 €330.000 €
Margem acumulada a 3 anoscerca de 20.000 €cerca de 100.000 €cerca de 175.000 €

Conservador

Uma equipa nunca chega a plena carga porque os municípios não abrem a rubrica. A operação sobrevive com trabalhos avulso e mercado privado. Recupera o investimento mas não gera salário digno para dois sócios.

Central

Pilotos convertem-se em contratos anuais em alguns municípios. Uma equipa enche no ano 2 e a segunda arranca no ano 3. É o cenário que o modelo assume por defeito.

Otimista

O cadastro abre portas e a lavagem entra como extensão natural. Contratos plurianuais estabilizam a receita e permitem uma terceira equipa no horizonte.

O que estes números são e não são

São projeções construídas sobre o modelo de uma equipa, escaladas por ritmo de adesão. Não assentam em nenhuma proposta real, nenhum contrato ganho e nenhuma conversa com um município. A produtividade de 150 sinais por dia e o preço de 4 € por sinal não têm fonte portuguesa.

O primeiro teste barato é um piloto numa freguesia abaixo de 5.000 €, que se adjudica por ajuste direto simplificado sobre fatura. Esse piloto mede de uma vez a produtividade real, o preço que o mercado aceita e o apetite do comprador, que são exatamente as três variáveis que faltam.

Projeção sem validação
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