As contas
O modelo é simples porque o negócio é simples: duas pessoas, uma carrinha e um sistema de lavagem. Não há efeito de escala, cada equipa adicional repete a mesma conta. O investimento inicial paga-se em cerca de nove meses de plena carga, se a procura existir.
| Rubrica | € / ano |
|---|---|
| Dois operadores, bruto e encargos | 36.000 |
| Viatura, combustível e manutenção | 14.000 |
| Estrutura, contabilidade e comercial | 8.000 |
| Consumíveis, água e filtros | 3.000 |
| Seguros | 2.500 |
| Sinalização temporária e EPI | 1.500 |
| Total | 65.000 |
| Rubrica | € |
|---|---|
| Viatura usada com depósito de 1.000 L | 18.000 |
| Fundo de maneio para três meses | 8.000 |
| Sistema de lavagem, osmose e varas | 5.000 |
| Sinalização temporária | 3.500 |
| Sociedade e seguros iniciais | 2.000 |
| Site e material comercial | 1.500 |
| Formação e EPI | 1.800 |
| Total | 39.800 |
O contrato-quadro do Município de Cascais com a empresa municipal Cascais Próxima fixa o item «Manutenção ou limpeza de sinalização vertical» em 10,05 € por unidade, para quantidades acima de uma. É o único €/sinal deste dossier ancorado num contrato público, e fica bem acima dos 4 € por sinal usados aqui como pressuposto de receita.
A leitura é prudente. O item de Cascais combina manutenção e limpeza e é praticado por uma empresa municipal em regime interno, não numa adjudicação competitiva. Ainda assim, mostra que 4 € por sinal é um pressuposto conservador, não otimista.
VerificadoO negócio não tem efeito de escala: cada equipa repete a mesma conta, com a mesma margem. O que separa os cenários é a velocidade a que se consegue encher a agenda, e isso depende inteiramente de a procura se formar. Os pressupostos de produtividade e de preço são os mesmos nos três.
| Ano | Conservador | Central | Otimista |
|---|---|---|---|
| Ano 1, arranque e pilotos | 40.000 € | 60.000 € | 90.000 € |
| Ano 2, primeira equipa em carga | 80.000 € | 120.000 € | 170.000 € |
| Ano 3, segunda equipa | 120.000 € | 240.000 € | 330.000 € |
| Margem acumulada a 3 anos | cerca de 20.000 € | cerca de 100.000 € | cerca de 175.000 € |
Uma equipa nunca chega a plena carga porque os municípios não abrem a rubrica. A operação sobrevive com trabalhos avulso e mercado privado. Recupera o investimento mas não gera salário digno para dois sócios.
Pilotos convertem-se em contratos anuais em alguns municípios. Uma equipa enche no ano 2 e a segunda arranca no ano 3. É o cenário que o modelo assume por defeito.
O cadastro abre portas e a lavagem entra como extensão natural. Contratos plurianuais estabilizam a receita e permitem uma terceira equipa no horizonte.
São projeções construídas sobre o modelo de uma equipa, escaladas por ritmo de adesão. Não assentam em nenhuma proposta real, nenhum contrato ganho e nenhuma conversa com um município. A produtividade de 150 sinais por dia e o preço de 4 € por sinal não têm fonte portuguesa.
O primeiro teste barato é um piloto numa freguesia abaixo de 5.000 €, que se adjudica por ajuste direto simplificado sobre fatura. Esse piloto mede de uma vez a produtividade real, o preço que o mercado aceita e o apetite do comprador, que são exatamente as três variáveis que faltam.