Água purificada, escova e sinalização temporária. O resto é conformidade.
A operação assenta em três decisões: como se lava sem danificar a película retrorrefletora, como se protege a equipa junto ao tráfego, e que habilitações são precisas para trabalhar na via pública. A primeira está resolvida pela indústria, a segunda é regulada, e a terceira continua por confirmar.
O problema técnico central
Lavar sem destruir aquilo que se está a limpar
Um sinal de trânsito não é uma superfície qualquer. O que o torna visível de noite é uma película retrorrefletora, feita de microesferas de vidro ou de elementos prismáticos, que devolve a luz dos faróis na direção do condutor. Essa película degrada-se com abrasivos e com químicos agressivos. Um sinal mal lavado pode ficar limpo e pior do que estava.
Daí a convergência do setor europeu em dois princípios: água purificada em vez de detergentes, e escovas macias em vez de pressão elevada. A água tratada por osmose inversa ou desionização não deixa depósitos de calcário ao secar, o que dispensa passagem de secagem e evita o esbatimento que os detergentes provocam.
Os dois caminhos de equipamento
A escolha entre eles define a estrutura de custos, a produtividade e o tipo de cliente que se consegue servir. Não é uma decisão reversível a meio, porque o investimento inicial difere numa ordem de grandeza.
Vara telescópica com água purificada
Sistema usado por operadores britânicos e holandeses. Uma bomba alimenta água tratada através de uma vara de fibra de carbono com escova na ponta, alcançando sinais elevados a partir do solo, sem escada e sem plataforma.
Investimento na ordem dos 5.000 €, incluindo bomba, unidade de osmose ou desionização, depósito e varas.
Vantagem de arrancar barato e de servir bem o meio urbano, onde os sinais são baixos e o acesso é fácil.
Limite na produtividade em via rápida e em pórticos de grande dimensão, onde o trabalho manual não compete.
Preço estimado
Escova hidráulica montada em viatura
A alemã MULAG produz implementos dedicados a esta função, montados em braços hidráulicos do tipo usado em porta-implementos Unimog. É o equipamento que serve gestores de rede de alta capacidade.15
Escova dupla DWB
Especificação
Largura de lavagem
800 mm
Diâmetro da escova
600 mm
Rotação
300 rpm
Pressão hidráulica
340 bar
Caudal
62 l/min
Potência máxima
35 kW
Peso
cerca de 200 kg
O fabricante descreve a DWB como adequada a sinais, guardas de segurança e balizadores, com ajuste hidráulico de altura para alternar entre eles. A FWB 1600 trabalha 1,60 m de largura, para sinais de grandes dimensões. Braços associados: MFK 500, FME 500 e FME 600.
Fonte primária
O que as fichas técnicas não dizem
São material do próprio fabricante e provam existência e especificações nominais. Não provam produtividade real, eficácia de limpeza nem preço de aquisição. A produtividade de 150 sinais por dia usada no plano de negócio é estimativa, não medição, e é o pressuposto que mais afeta a receita por equipa.
Materiais e consumíveis
O que se gasta
Água tratada. Osmose inversa ou desionização por resina. A resina esgota-se e substitui-se, sendo o consumível recorrente mais relevante.
Filtros e pré-filtros da unidade de tratamento, que protegem a membrana.
Escovas. Cerdas macias, substituídas por desgaste. Cerdas duras riscam a película e não devem entrar na operação.
Sem detergentes na operação corrente. Qualquer produto químico tem de ser validado como compatível com películas retrorrefletoras antes de tocar num sinal.
Orçamentado em 3.000 € por ano e por equipa, incluindo água, filtros e consumíveis.
Proteção da equipa e da via
Kit de sinalização temporária com cones, pré-sinalização, painéis direcionais e triflash, conforme o Manual de Sinalização Temporária da Infraestruturas de Portugal.
Viatura com sinalização luminosa e depósito de água de 1.000 litros.
EPI de alta visibilidade para dois operadores, classe adequada a trabalho junto ao tráfego.
Registo fotográfico georreferenciado antes e depois. É o que permite faturar por sinal, provar o serviço prestado e, se se quiser, vender o cadastro como produto separado.
O kit de sinalização temporária está orçamentado em 3.500 € no investimento inicial, e a sua amortização mais o EPI em 1.500 € por ano.
O que é preciso para operar
Requisitos legais e de segurança
Sinalização temporária de obras conforme o Manual de Sinalização Temporária da IP, Tomos 2A e 2B.
Licença de ocupação da via pública junto do município onde decorre a intervenção.
Seguro de responsabilidade civil e seguro de acidentes de trabalho.
Formação dos operadores em montagem de sinalização temporária e trabalho junto ao tráfego.
Alvará de construção apenas se o objeto for empreitada. Para prestação de serviços, a exigência precisa de confirmação junto do IMPIC.
Equipamento mínimo
Viatura ligeira de mercadorias com depósito de água de 1.000 litros e sinalização luminosa.
Sistema de água purificada por osmose ou desionização, que evita marcas de calcário e dispensa detergentes.
Varas telescópicas com escova, para alcançar sinais elevados sem escada.
Kit de sinalização temporária com cones, pré-sinalização, painéis e triflash.
EPI de alta visibilidade para dois operadores.
Registo fotográfico georreferenciado antes e depois, que é o que permite faturar por sinal e provar o serviço.